quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Pranto de Maria da Paz Soares


Na realidade, estamos sempre a representar, alguns papéis são bons, outros não são tão bons. Representei o papel de dona dos meus quatro cães, de amante autoritária e exigente, de mulher que engana... e de repente vejo-me a representar o papel de assassina do meu ex-amante. Um papel segue-se a outro. Tudo é tão esquivo. O que foi que aconteceu a tudo?
És um bom rapaz,
Sebastião Opus Night, para escutares os monólogos da tua antiga amante e actual assassina. É verdade, és um bom rapaz, Sebastião, e eu senti um grande desgosto quando morreste. Esse foi um papel difícil de representar. Os sentimentos vieram-me do corpo e, embora os pudesse controlar, destruiram a realidade, se é que me entendes. A realidade ficou destroçada desde então, mas por estranho que seja, é melhor assim. Não tentes repará-la. Não quero saber que nada faça sentido.

0 comentários: